A essência do rock progressivo
A banda Yes ajudou a moldar o que muita gente entende como a essência do rock progressivo nos anos 70. Com músicas longas, cheias de mudanças de ritmo, passagens instrumentais elaboradas e atmosferas que iam da fantasia à ficção científica, a banda britânica virou referência absoluta no gênero.
Nos anos 80, porém, a história tomou um rumo que pouca gente imaginava. Depois do fim do grupo em 1981, após a turnê do álbum Drama, Chris Squire, Alan White e Trevor Rabin se reuniram em um novo projeto chamado Cinema. Ao lado de Tony Kaye, tecladista da formação original do Yes, começaram a gravar músicas com uma proposta diferente: arranjos mais diretos, sonoridade moderna e uma pegada mais acessível, muito influenciada pelas composições e demos de Rabin.
Durante a fase de mixagem, veio a reviravolta que reacendeu a chama do Yes. Jon Anderson, dono de uma das vozes mais marcantes da história do rock, aceitou o convite para voltar e gravar os vocais principais. A partir dali, o Cinema deixou de ser apenas um projeto paralelo e se transformou oficialmente em uma nova fase do Yes.
O lançamento de 90125 e a mudança de som
Desse reencontro nasceu 90125, lançado em 7 de novembro de 1983 pela Atco Records. O nome curioso veio simplesmente do número de catálogo da gravadora, mas o conteúdo do disco estava longe de ser algo burocrático. O álbum marcou um renascimento criativo e comercial, aproximando a banda de uma nova geração sem apagar totalmente suas raízes progressivas.
O resultado foi um enorme sucesso. 90125 alcançou o quinto lugar na Billboard 200, nos Estados Unidos, e a 16ª posição nas paradas britânicas. Com o tempo, se consolidou como o álbum mais vendido da carreira do Yes, com milhões de cópias comercializadas. Entre os singles, “Owner of a Lonely Heart” se destacou de forma histórica, tornando-se a única música da banda a chegar ao primeiro lugar da Billboard Hot 100. Já a faixa instrumental “Cinema” rendeu ao grupo um Grammy de Melhor Performance Instrumental de Rock, reforçando que a habilidade musical continuava ali, mesmo em uma fase mais radiofônica.
O sucesso do disco levou o Yes a uma grande turnê mundial entre 1984 e 1985. Um dos momentos mais marcantes foi a participação como atração principal na primeira edição do Rock in Rio, em 1985, diante de um público gigantesco e em um evento que entraria para a história da música. Remasterizado em 2004 com faixas bônus inéditas, 90125 segue sendo um álbum fundamental para entender a capacidade do Yes de se reinventar. Para muitos fãs, ele representa o encontro entre o virtuosismo do rock progressivo e a estética vibrante dos anos 80.