Entre os muitos personagens inesquecíveis da Harvey Comics, poucos têm uma trajetória tão curiosa quanto Brasinha. Conhecido internacionalmente como Hot Stuff the Little Devil, o pequeno diabinho fez sua estreia em 1957 e rapidamente conquistou um espaço próprio ao lado de ícones como Gasparzinho, Riquinho e Tininha. No Brasil, suas aventuras chegaram às bancas pela Editora O Cruzeiro, que publicou diversas edições na década de 1960, incluindo esta, lançada em janeiro de 1966.
O que tornava Brasinha especial era justamente a proposta que parecia contrariar sua própria natureza: apesar da aparência de diabinho, ele estava longe de ser um vilão. Suas histórias apostavam em um humor leve, divertido e cheio de situações inusitadas, em que as travessuras quase sempre terminavam de forma inocente.
Brasinha um protagonista diferente de todos os outros
Brasinha surgiu em um momento em que a Harvey Comics já acumulava sucessos editoriais. Mesmo assim, a editora demonstrou grande confiança no personagem ao lançá-lo diretamente como protagonista de sua própria revista, em vez de apresentá-lo primeiro como coadjuvante.
Criado pelo desenhista Warren Kremer, o personagem estreou na edição Hot Stuff nº 1, em outubro de 1957, com uma capa que já revelava seu espírito irreverente: enquanto perguntava ao leitor “Eu sou Brasinha… Quem é você?”, queimava a própria capa da revista.
Ao contrário de outros personagens da Harvey, Brasinha vivia em um universo bastante particular. Suas aventuras aconteciam em um cenário povoado por diabinhos, ogros, fadas, gnomos e criaturas fantásticas, quase sempre sem cruzar o caminho dos demais astros da editora. As raras exceções ficaram por conta de encontros ocasionais com Gasparzinho e Miudinho, este último apresentado na terceira edição da série e que se tornou seu companheiro mais frequente.
Grande parte da personalidade do personagem foi construída pelo talento de Howard Post, responsável por desenvolver histórias marcadas pelo humor criativo e pelas situações absurdas que se tornaram uma das marcas registradas da série. Warren Kremer, além de criador de Brasinha, também assinou inúmeras capas e ilustrações ao longo dos anos.
Das bancas brasileiras ao status de clássico cult
No Brasil, Brasinha conquistou diferentes gerações de leitores. Depois das publicações da Editora O Cruzeiro nas décadas de 1960 e 1970, o personagem passou pelas editoras Vecchi e Globo (antiga RGE), permanecendo presente nas bancas até o início dos anos 1990. Após um longo intervalo, voltou a ser publicado por um breve período em 2013, despertando a nostalgia dos fãs.
Embora nunca tenha alcançado a mesma popularidade internacional de alguns colegas da Harvey, Brasinha construiu uma legião de admiradores graças ao estilo único de suas histórias. Sua participação em animações produzidas nas décadas de 1960 e 1970 acabou sendo limitada por controvérsias envolvendo a temática do personagem, que chegou a despertar críticas de grupos religiosos da época. Ainda assim, nos quadrinhos, o pequeno diabinho seguiu firme como um dos personagens mais originais da editora.
Mais de seis décadas após sua estreia, Brasinha continua sendo lembrado por colecionadores e apaixonados por HQs como um personagem que transformou a figura do diabinho em sinônimo de humor inteligente, fantasia e diversão.