Lançado em 1987, Nothing Like the Sun, segundo álbum solo de estúdio de Sting, marcou de vez a consolidação do cantor fora do The Police. O disco foi um sucesso mundial — alcançou o primeiro lugar no Reino Unido e entrou no Top 10 dos Estados Unidos — e apresentou ao mundo alguns dos maiores clássicos da carreira do artista.
Entre os destaques estão “Englishman in New York”, “We’ll Be Together”, “Fragile” e “They Dance Alone”, esta última uma canção de forte impacto político sobre a opressão no Chile. O álbum equilibra perfeitamente sensibilidade emocional e consciência social, uma das marcas registradas de Sting.
Mistura de estilos e músicos lendários
Musicalmente, o trabalho é uma fusão elegante de rock, jazz e música orquestral. Sting reuniu um verdadeiro time de peso para o projeto, incluindo:
- Andy Summers (The Police)
- Mark Knopfler (Dire Straits)
- Gil Evans, responsável pela orquestração de “Little Wing”, clássico de Jimi Hendrix
- Manu Katché, renomado baterista de jazz
O resultado é um som sofisticado, cheio de nuances, que passeia entre o intimismo e a grandiosidade.
Um sucesso também no Brasil
O impacto do álbum foi tão grande que Sting iniciou a turnê mundial no Brasil, com um show histórico em um Maracanã lotado. A apresentação ajudou a fortalecer a relação duradoura do artista com o público brasileiro.
Shakespeare, amor real e menos misticismo
O título Nothing Like the Sun vem de um verso de Shakespeare:
“My mistress’ eyes are nothing like the sun”.
O soneto citado fala de um amor real, imperfeito e humano, bem longe do ideal romântico exagerado. Essa visão mais pé no chão também aparece nas composições do álbum. Aqui, Sting deixa um pouco de lado o misticismo de trabalhos anteriores e mergulha em temas como:
- emoções profundas — “Be Still My Beating Heart”, “Sister Moon”
- sistemas sociais e injustiças — “History Will Teach Us Nothing”, “They Dance Alone”
- comprometimento e relações pessoais — “The Secret Marriage”
Um álbum moldado pelo luto e pela realidade
O disco também é um dos mais pessoais da carreira de Sting. Ele foi profundamente impactado por dois acontecimentos:
- A morte de sua mãe, no fim de 1986
- Sua participação na turnê humanitária “A Conspiracy of Hope”, da Anistia Internacional, que o levou a países da América Latina marcados por guerras civis e repressão
Essas experiências trouxeram ao álbum um tom mais reflexivo e humano. Canções como “The Lazarus Heart” e “The Golden Bough” carregam simbolismos ligados à perda, à dor e às relações familiares, refletindo a forma como o luto influenciou o processo criativo do artista.
Por que esse álbum ainda é tão relevante?
Nothing Like the Sun não é só uma coleção de hits é um trabalho que une qualidade musical, profundidade lírica e contexto histórico. O disco mostra Sting em plena maturidade artística, conectando vivências pessoais a questões políticas de forma sensível e contundente.
É aquele tipo de disco que você escuta pelos clássicos… e continua voltando pelas camadas escondidas.