Quando Madonna levou o pop dos anos 80 para as telas
Lançado em 1987, Who’s That Girl marcou um momento curioso na carreira de Madonna. Embora seja lembrado como um álbum dela, trata-se, na verdade, de sua primeira trilha sonora oficial para o cinema. O projeto nasceu para acompanhar o filme Who’s That Girl, com Madonna no papel principal, e acabou se tornando uma peça interessante dentro de sua discografia — meio pop, meio Hollywood, totalmente anos 80.
O contexto ajuda a entender o clima do álbum. Depois do sucesso de Desperately Seeking Susan, Madonna queria repetir a dose nas telonas. Mas havia um obstáculo: o desempenho decepcionante de Shanghai Surprise. Ainda assim, o filme saiu do papel, e com ele veio a trilha sonora. Musicalmente, ela recorreu aos parceiros já conhecidos, Patrick Leonard e Stephen Bray, nomes essenciais na sonoridade daquela fase. Daí nasceram faixas que carregam a assinatura clássica da artista: energia pop, refrões grudentos e aquela mistura de romance com atitude.
Mesmo quem nunca viu o filme certamente conhece o impacto das músicas. A faixa-título, Who’s That Girl, virou hit imediato, reforçando o domínio absoluto de Madonna nas paradas.
Já Causing a Commotion trouxe o pulso dançante típico da época,
enquanto The Look of Love revelou um lado mais suave e melódico. É aquele contraste que sempre funcionou bem em seus álbuns: intensidade e delicadeza convivendo sem esforço.
Curiosamente, apesar das críticas mornas, o álbum Who’s That Girl teve excelente desempenho comercial. Dominou charts ao redor do mundo e vendeu milhões de cópias, algo que Madonna já transformava quase em rotina naquela década. No fim, a trilha sonora virou mais um capítulo do fenômeno cultural que ela construía: uma artista que conseguia transformar até um projeto de cinema em combustível para sua presença nas rádios, na MTV e nas pistas.
Para os fãs, o álbum permanece como um retrato perfeito de uma era específica. É Madonna em modo estrelato total, navegando entre música e cinema, consolidando hits e reforçando uma estética que ajudou a definir o pop oitentista. Uma trilha sonora que, na prática, acabou funcionando como mais um álbum icônico disfarçado.