Se você tem mais de 30 anos e já rolou um d20 antes de saber o que era internet discada, alguma versão de Dragão Brasil provavelmente passou pelas suas mãos. Não era só uma revista de RPG, era o lugar onde um Brasil inteiro de mestres e jogadores aprendia regras, trocava aventuras e, sem perceber, ajudava a construir um dos maiores universos de fantasia nacionais: Tormenta.
Lançada em 1994 pela Editora Trama, Dragão Brasil nasceu num momento em que revistas de RPG raramente passavam do quarto número. Ela não só sobreviveu como virou referência, atravessando a explosão do RPG no Brasil nos anos 90 e se firmando como a publicação mais icônica do gênero por aqui.
O Trio Tormenta e os primeiros anos
Por trás do tom irreverente e criativo da revista estava o Trio Tormenta: Marcelo Cassaro, Rogério Saladino e JM Trevisan. Foi essa turma que definiu a cara de Dragão Brasil até 2005, quando um desentendimento com a editora tirou os três do comando. A revista seguiu adiante em outras mãos, passou pelo jornalista Marcelo Telles, fundador do Portal RedeRPG, e por Sílvio Compagnoni Martins, ex-editor da Devir, mas o mercado de RPG andava em baixa, e a publicação encerrou suas atividades em 2008.
O Trio, claro, não parou. Tentou outros caminhos editoriais, como a RPGMaster e a Dragon Slayer, mantendo viva a chama de fazer RPG genuinamente brasileiro.
Com a marca livre e o apoio da comunidade, a revista renasceu no final de 2016, agora em formato digital e financiada via assinatura recorrente pela Jambô Editora.
A numeração, aliás, não recomeçou do zero: ela retomou exatamente de onde o Trio parou na Trama, com a edição 112. Um detalhe pequeno, mas que diz muito sobre o respeito à história da publicação.
Por que essas capas mexem tanto com quem viveu aquela época
Tem algo nas capas antigas de Dragão Brasil que nenhuma tela consegue replicar direito. É a textura do papel, a arte que anunciava aventuras inteiras antes mesmo de você virar a primeira página, aquela sensação de “preciso ter esse número”. Cada capa é um pedaço de memória: a mesa de RPG na casa de alguém, o cheiro de banca de revista, a expectativa de saber qual sistema seria destaque naquele mês.
É esse resgate que trazemos aqui no blog: uma galeria com várias capas históricas da revista, número por número, pra reviver junto com quem acompanhou tudo isso de perto e apresentar pra quem só conhece Tormenta pela versão atual.

Para quem ainda sonha em completar a coleção
Se você é dessas pessoas que abrem sebo virtual só pra procurar “aquele número que falta”, sabe do que estou falando. Exemplares físicos das edições clássicas de Dragão Brasil (a fase Trama/Talismã/Melody, entre 1994 e 2008) estão cada vez mais raros e cada vez mais disputados entre colecionadores.














